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CARTA ABERTA À SOCIEDADE DE RONDONÓPOLIS

18 de fevereiro de 2026

Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rondonópolis (SISPMUR) vem, com respeito e senso de responsabilidade pública, dirigir-se à sociedade rondonopolitana para tratar de tema que impacta diretamente o presente e o futuro do nosso Município: a situação da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis – CODER.

São quase 50 anos de história. A CODER cresceu junto com Rondonópolis. Participou da expansão dos bairros, da implantação de infraestrutura básica, da drenagem, da pavimentação, da iluminação pública, da manutenção urbana e de tantos outros serviços essenciais que estruturam a cidade que hoje conhecemos.

Quantas vezes, após uma forte chuva, foi a CODER que esteve nas ruas recuperando vias e drenagens? Quantas vezes, após a queda de árvores ou danos na iluminação, foram seus trabalhadores que atuaram prontamente? Quantos bairros só se consolidaram porque a empresa pública chegou primeiro, garantindo condições mínimas de urbanização?

A CODER não é apenas uma empresa: é instrumento histórico de desenvolvimento local.

No entanto, no ano de 2025, o Poder Executivo Municipal iniciou o processo de encerramento das atividades da empresa pública, medida que poderá resultar na dispensa de aproximadamente 600 trabalhadores — 600 chefes e chefes de família, 600 histórias de vida e 600 lares diretamente afetados.

São servidores com décadas de dedicação ao Município. Muitos já enfrentam problemas de saúde, outros estão em idade avançada e, legitimamente, se perguntam: Haverá espaço para nós no mercado de trabalho? Como manteremos nossas famílias?

O impacto social dessa decisão é profundo e imediato. Além da dimensão humana, há reflexões técnicas e financeiras que precisam ser feitas pela sociedade:

1) Recursos públicos: A Câmara Municipal aprovou aproximadamente R$ 8 milhões mensais para a liquidação da CODER. Entretanto, estudos indicam que cerca de R$ 5 milhões mensais seriam suficientes para manter a empresa em funcionamento regular, preservando empregos e garantindo continuidade dos serviços, sem necessidade de terceirizações.

2) Custo da terceirização: Empresas privadas contratadas para executar serviços equivalentes apresentam custo estimado pelo menos 38% superior ao praticado pela CODER, além de questionamentos quanto à qualidade e à fiscalização da execução.
Se o serviço pode ser prestado por menor custo e com estrutura já consolidada, por que optar pela alternativa mais onerosa?

3) Impacto nas tarifas públicas: A sociedade também precisa refletir sobre os recentes ajustes nas faturas de água, esgoto, resíduos sólidos e coleta de lixo. Há relação estrutural entre os custos do sistema urbano e o modelo adotado para sua execução.

4) Dívidas e responsabilidade: As obrigações financeiras existentes não deixam de existir com o fechamento da empresa. Elas continuam sendo responsabilidade do Município, independentemente da extinção da CODER. Assim, é legítima a pergunta: se as dívidas permanecerão e os serviços continuarão necessários, qual a vantagem pública concreta do encerramento da empresa?

A discussão não é ideológica. É administrativa, social e econômica. Trata-se de avaliar qual modelo é mais eficiente, mais transparente e mais benéfico para a coletividade.

Rondonópolis não pode perder um patrimônio institucional construído ao longo de décadas sem amplo debate público com a sociedade, estudos técnicos transparentes e avaliação do real impacto econômico e social.

Os eventuais erros de gestões passadas não podem ser transferidos aos trabalhadores nem convertidos em prejuízo à população. Responsabilizações devem ocorrer na medida da lei, mas o interesse público maior deve prevalecer.

Por isso, conclamamos a sociedade rondonopolitana: informem-se, participem, questionem, acompanhem. A CODER faz parte da história de Rondonópolis e defender sua viabilidade é defender empregos, eficiência administrativa e o desenvolvimento local, e precisamos da Sociedade de Rondonópolis nesta luta! A CODER  cresceu junto com Rondonópolis, não podemos deixar ela ser MORTA, para atender interesse de alguns.

O SISPMUR permanece aberto ao diálogo e à construção de soluções responsáveis, técnicas e socialmente justas.

Diretoria SISPMUR